Como funcionarão as investigações após morte do bebê de um ano
No fim da tarde desta quinta-feira (25), a equipe médica do Hospital Universitário (HU) de Jundiaí divulgou um comunicado informando que a criança de colo, de um ano e três meses, que estava em estado gravíssimo na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), em coma e respirando com a ajuda de aparelhos, não resistiu a uma série de ferimentos.
A partir deste fato, a tendência é que os rumos da investigação mudem mais uma vez. A ocorrência, que havia sido registrada como “lesão corporal grave e maus-tratos”, passou a ser investigada como “tentativa de homicídio”, pois as autoridades acreditam que há indícios de que a vítima era agredida desde o mês de fevereiro deste ano, quando deu entrada pela primeira vez no HU. Agora, com a morte, provavelmente a investigação mude de “tentativa” para “homicídio”.
Moradora do Jardim das Tulipas, a mãe da criança foi presa em flagrante e, após audiência de custódia, a prisão foi convertida em preventiva. Em depoimento à Polícia, a mulher de 23 anos disse que apenas “chacoalhou a criança para tentar reanimá-la”.
Em entrevista ao telejornal TEM Notícias, da TV TEM, o delegado Paulo Sérgio Martins disse que os surtos apontados pela suspeita foram verificados pela equipe médica, que não identificou qualquer tipo de dificuldade neurológica na criança.
“Ela (mãe) nega, ela fala que a criança teve um surto (...) e que teria chacoalhado a criança para ver se reanimava, mas e as lesões antigas? O porquê da mordedura? Então, são várias situações que levam a crer que houve uma violência doméstica praticada contra a criança”, completou.
Após ter colhido depoimentos do namorado da mãe, da avó da vítima e de uma colega de trabalho, a Polícia ouvirá os conselheiros tutelares que acompanharam o caso para saber o porquê de o Conselho não ter agido antes que essa tragédia acontecesse, já que o órgão acompanha a criança desde o mês de fevereiro deste ano.
Será realizada uma perícia na casa onde a criança vivia com a mãe e a irmã de 5 anos.
A Morte
A equipe médica do Hospital Universitário (HU) de Jundiaí confirmou a morte da bebê de um ano e três meses que estava internada em estado gravíssimo na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do HU desde o dia 19 deste mês, quando deu entrada no local em coma e entubada, após sofrer quatro paradas cardíacas na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Vetor Oeste.
Segundo a nota emitida pelo HU, a morte foi confirmada às 17h30. A equipe médica havia iniciado o protocolo de morte encefálica na quarta-feira (24).
A criança deu entrada na UPA com a clavícula fraturada, queimaduras no couro cabeludo e no pescoço e, após sofrer quatro paradas cardíacas, foi transferida em coma. No HU, a equipe médica entrou em contato com a Polícia Militar (PM), denunciando o caso.
O histórico
Em fevereiro, a menina havia sido internada por oito dias por apresentar quadro de desnutrição e marcas de mordidas pelo corpo. Uma médica que atendeu a vítima denunciou a mãe à polícia, e o caso foi registrado como lesão corporal de natureza grave e violência doméstica.
O Conselho Tutelar chegou a acompanhar a família, mas perdeu contato após a mãe mudar de endereço sem comunicar o órgão.
Ainda no TEM Notícias, a coordenadora pediátrica do HU, Stela Tavolieri, disse que a criança chegou ao hospital entubada e com inúmeras lesões pelo corpo:
“Essa criança apresentava queimaduras, inúmeras mordidas, em tempos diferentes, mordidas de tamanho adulto. Apresentava dedos sem unhas, que haviam sido arrancadas, várias fraturas em diferentes graus de consolidação, contusão pulmonar, sangramento cerebral, fraturas e hematomas nos dedos e inúmeras lesões que não ocorreram exclusivamente naquele momento.”
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Fonte G1
Redação 30 de Setembro de 2025
