Seis mortes em dois meses expõem crise de saúde mental na região
Em 2024, os dados do DATASUS apontavam que a situação é alarmante na saúde mental: foi registrado o maior número de internações por tentativas de suicídio da história, com 4.429 casos, número que piorou no primeiro semestre de 2025, com uma média de 12,7 internações por dia.
A Região Metropolitana de Jundiaí (RMJ) vive uma realidade parecida com a do resto do estado. De fevereiro a abril deste ano, foram seis casos noticiados de pessoas que tiraram a própria vida, sendo que, destes seis, cinco aconteceram do meio de março ao começo de abril.
Ainda no começo de março, houve uma tentativa que foi impedida pela equipe da Guarda Municipal (GM) de Cabreúva, no viaduto de retorno, próximo à empresa Natura, na rodovia Dom Gabriel, no limite entre Itupeva e Cabreúva.
Segundo os dados do DATASUS, a faixa etária mais atingida por essa situação de saúde mental são pessoas de 20 a 29 anos, com 1.287 internações. Na região, recentemente, tivemos duas adolescentes que tiraram a própria vida: uma de 16 anos, cujo caso a família pediu para não divulgar, na cidade de Itupeva, e o caso de Melissa Felippe Martins Santos, de 17 anos, moradora de Jundiaí, que deixou o cursinho antes da realização de exames pré-vestibulares no dia 28 de março e teve o corpo encontrado em área de mata, na região do Eloy Chaves, em Jundiaí, com uma garrafa de água e comprimidos ao seu lado.
O que pode levar pessoas tão jovens a resolverem encerrar, de forma tão prematura, suas vidas? De acordo com especialistas do DATASUS, esse grupo vive um momento de transição marcado por pressão social, comparação nas redes e exigência de performance.
Em entrevista para a equipe de reportagem do Olhar Itupeva, a psicóloga Jéssica Pires Santos, que atua nas cidades de Itupeva e Jundiaí, alerta para os sinais de pedido de ajuda dados pelas pessoas antes de tentar tal ato.
“O isolamento, as mudanças de comportamento e até a questão de uma felicidade e risos constantes, que podem estar escondendo dores profundas e, de alguma forma, a pessoa acaba sinalizando seu sofrimento. É preciso que nós estejamos atentos a estes detalhes, que muitas vezes não são explicitados por palavras”, disse Jéssica.
A profissional ainda falou da importância de as pessoas que estão apresentando essa tendência de fazer mal a si mesmas procurarem ajuda e da importância de amigos, familiares e profissionais em acolher nesses casos.
“É fundamental que quem esteja passando por isso peça ajuda. Ajuda à família, aos amigos. E as pessoas, sejam pais, familiares, amigos e profissionais que receberem este pedido de ajuda, não devem invalidar o sofrimento emocional, pois o que para muitos é invisível, para quem está sofrendo é real.”
Atenção: Se você estiver lendo esta reportagem e se identificar com o sofrimento narrado, procure apoio emocional e preventivo no Centro de Valorização da Vida (CVV) pelo 188. O atendimento é voluntário, gratuito e sigiloso, diário, funcionando 24h por dia.
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Redação 06 de Maio de 2026
